Toda associação começa numa planilha. E a planilha sempre estoura.
No começo é fácil. Poucos pacientes, poucas plantas, tudo cabe numa planilha do Excel. Aí a associação cresce. Vira 300, 800, 2.000 pessoas. A planilha vira dez planilhas. Cada voluntário mexe numa. Alguém apaga uma linha sem querer. O laudo daquele lote some no meio de mil arquivos. Ninguém acha nada quando precisa.
Até aí é só bagunça. O problema é que a regra mudou.
Em agosto de 2026, a Anvisa (a agência do governo que fiscaliza remédio) publicou três normas novas — as RDCs 1.013, 1.014 e 1.015/2026. “RDC” é só o nome do documento oficial de regra da Anvisa, tipo uma lei da área da saúde. Essas três dizem, na prática: associação de cannabis medicinal agora tem que provar, no papel, de onde veio cada planta, o que deu no exame dela, e pra quem foi entregue. (Anvisa, RDCs 1.013–1.015/2026, em vigor desde 04/08/2026.)
Com planilha bagunçada, você não prova. E quando você não prova, a fiscalização entende que você não controla. O nome disso é interdição — o governo manda parar tudo.
Isso já aconteceu. Em agosto de 2026, duas associações foram interditadas pela fiscalização. (Anvisa, agosto/2026.) Não é ameaça de futuro. É o presente.
E tem um prazo batendo: até 5 de agosto de 2027, toda associação precisa estar adequada. (Anvisa, RDC 1.013/2026.) Depois dessa data, planilha não é mais desculpa.
RDC = o documento oficial de regra da Anvisa. Interdição = quando o governo manda a associação parar de funcionar.
A Jere é o caderno que a Anvisa aceita — só que digital e à prova de bagunça.
Cada lote de planta ganha um RG.
Todo lote (o grupo de plantas que cresceu junto) recebe um documento de identidade só dele: número, data, variedade, quantas plantas, e o resultado do exame que mede a substância controlada. Igual RG de gente — um número que aquilo nunca perde.
Cada passo fica gravado pra sempre.
Plantou, colheu, examinou, entregou — cada etapa entra no sistema e não pode mais ser apagada nem alterada. Se a fiscalização perguntar “o que aconteceu com esse lote?”, a resposta inteira está lá, do começo ao fim, sem furo.
Ninguém de fora vê dado de paciente.
O nome, o CPF e a receita do paciente ficam trancados — só quem é da associação, com senha, enxerga. A página pública que mostra a origem do produto não tem nada de paciente. Privacidade de quem se trata é sagrada, e a lei (LGPD) exige.
Só isso. Sem mágica. É organização virada em prova.
Nosso credo
Acreditamos no poder do “jere”.
Acreditar no poder do remédio é justamente a razão de tratá-lo com o rigor que a norma exige: cada lote rastreado, cada dado de paciente protegido. É por levar a planta a sério que a gente leva a organização a sério.
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Acreditamos que, para vencer, é preciso vencer a ignorância. A proibição da cannabis não nasceu da ciência — nasceu do racismo, e racismo é ignorância. A resposta é conhecimento: informação clara, dado rastreável, educação. Explicar tudo com clareza é, pra gente, uma forma de combater essa ignorância — e é o que este software existe pra servir.
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Acreditamos que tecnologia é pra facilitar a vida de todo mundo — do dirigente que responde à Anvisa ao paciente que espera o remédio. Se o sistema complica, o sistema está errado.
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Acreditamos que quem cultiva remédio merece software à altura do remédio. Este mercado cresceu na base da planilha e do improviso; a gente veio pra entregar ferramenta boa de verdade.
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Acreditamos que transparência é uma forma de respeito: cada lote com a história completa, gravada num caderno sem borracha.
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Acreditamos que dado de paciente é sagrado. Ninguém de fora vê — nem a gente deveria, e por isso o sistema foi construído pra que não veja.
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Acreditamos que a norma não é inimiga: é ela que transforma a planta em remédio reconhecido. Cumprir a regra bem-feita é proteger o paciente e a associação.
Por baixo do capô, explicado com analogia
Aqui a gente abre a Jere pra você ver como ela funciona — traduzindo cada palavra técnica. Se você entende como funciona um caderno e uma gaveta trancada, você entende a Jere.
A trilha imutável = o caderno sem borracha
Imagine um caderno onde a caneta escreve mas a borracha não existe. Você pode escrever uma linha nova por cima (“corrigi para tal”), mas não pode arrancar nem rasurar o que já foi escrito. Na Jere, as etapas de cultivo, os exames, a movimentação de estoque e as entregas funcionam assim: só entram, nunca somem. É exatamente isso que dá pra fiscalização confiar no que ela lê.
No sistema isso se chama registro “append-only” — “só adiciona”. Ninguém, nem a associação, nem a gente, edita o passado.
Isolamento por associação = cada uma na sua sala
Pensa num prédio de salas com fechadura. Cada associação tem a sua sala e a sua chave. Ninguém entra na sala do outro — nem por engano, nem de propósito. Se um dia a Jere atender dez associações, uma nunca vê o dado da outra.
Tecnicamente: cada requisição resolve no servidor de qual associação é o usuário, e o banco de dados barra o resto por uma regra chamada RLS — “segurança por linha”. Defesa em duas camadas.
Dado de paciente = gaveta trancada, e a vitrine não mostra
O produto tem uma “vitrine” pública: qualquer pessoa (inclusive o fiscal) escaneia o QR code e vê a jornada da planta — genética, cultivo, exame, situação. Mas essa vitrine não tem gaveta de paciente. Nome, CPF, receita ficam numa gaveta trancada, criptografada (embaralhada de um jeito que só quem tem a chave lê), com acesso só pra quem é da associação.
Exigência da LGPD, a lei brasileira que protege dado pessoal — e dado de saúde é o nível máximo de proteção dela.
Artigo por artigo = cada tela cumpre uma regra
A Jere não foi feita “no chute”. Cada função nasceu de uma exigência escrita na norma. Alguns exemplos, traduzidos:
O lote com nº, etapa, data, variedade e nº de plantas. A norma exige esses cinco campos.
RDC 1.013/2026, Art. 15
O exame que mede a substância controlada, com alerta se passar do limite. Passou de 0,3%, o sistema avisa e abre o registro de separação e comunicação à autoridade.
RDC 1.013/2026, Art. 16
A entrega só sai com receita válida. Se a receita do paciente venceu, o sistema bloqueia — não deixa entregar.
RDC 1.015/2026
E quando o Sandbox abrir: a organização financeira já vem pronta. O Sandbox Regulatório (RDC 1.014) é um programa da Anvisa em que a associação se candidata pra operar dentro de regras claras. Pra entrar, precisa provar organização de contas — inclusive tratar a planta como um bem que vale dinheiro no balanço (os contadores chamam isso de “ativo biológico”). Não é por isso que a Jere existe — ela existe pra te proteger da interdição hoje —, mas quando o edital abrir, essa parte já está pronta. E poucos sistemas entregam.
RDC 1.014/2026
Sandbox = programa da Anvisa pra associação operar sob regras definidas. Ativo biológico = a planta contada como bem de valor no balanço. QR code = aquele quadradinho que a câmera do celular lê.